A Velhice
19/06/2006
A “morte” é um tipo de
iniciação que tem seu princípio na velhice. Todas as religiões e filosofias
esforçam-se para tentar explicá-la, sendo que bem poucas lhe têm conservado o
verdadeiro caráter.
Na verdade, em nossa evolução planetária e humana, a velhice é inevitável
fenômeno biológico de desgaste que atinge todos os seres vivos, resultado do
esforço mantido pelos equipamentos orgânicos para preservação de sua
funcionalidade. Essa fase também chamada por terceira idade, representa a
experiência e a sabedoria, riquezas que são levadas pelo Espírito que se
desprende deste mundo de matéria mais densa. Pela mesma lei que se adentra neste
mundo material, sai-se para o mundo espiritual, que é a lei de evolução.
Palavras preciosas são a de Léon Denis(1) que trazem esclarecimentos neste
assunto: “Existe um trabalho silencioso, em princípio oculto aos olhos humanos,
que trabalha na desmaterialização do nosso corpo físico e, posteriormente, mais
próximo da “morte” física começa se manifestar através da velhice. Verifica-se
ainda pelas moléstias de vários tipos que atacam o corpo material num trabalho
lento, por vezes despercebido, ou ostensivo e rápido que Paulo de Tarso deu o
nome por dissolução, hoje designado por desagregação das moléculas. Com efeito,
desse complexo desgaste físico, peculiar a todos seres viventes, o Espírito
acaba por chegar num limite extremo de desvitalização, entrando então, em um
momento crepuscular que é o limite da fronteira dos dois mundos. Nesse estado,
com raras exceções, o moribundo já parcialmente desprendido do corpo material,
tem visões iniciais daquele mundo que vai entrar, por vezes sem distinguir”.
Por outro lado, em razão de conceito já defasado e indevido crê-se erroneamente
tratar-se da fase das enfermidades degenerativas, dos distúrbios emocionais, de
período de sofrimento e amargura, onde muitos passam a temer a velhice e da
aproximação da “morte”, como se essa não ocorresse em qualquer fase da
existência. O “medo” da velhice demonstra na pessoa o seu apego material e o
descuido com o espiritual, tornando-se um período cruel e tormentoso, em razão
de não se considerar a existência física uma jornada de breve duração, por mais
longa que seja, passando por estágios bem delineados desde o berço até o túmulo.
Esses acontecimentos, verdadeiramente, não ocorrem somente na velhice, embora
eles também tenham lugar nesse período, porquanto, em qualquer fase da vida
orgânica, como na infância, na juventude e no adulto, existem enfermidades,
desequilíbrios mentais e conflitos íntimos, portanto, independem da idade e
resultam de outros fatores, especialmente da alimentação, saneamento,
predisposição e até cármico. Pode-se assim dizer que, a velhice está próxima da
morte, tanto quanto a própria juventude compartilha da mesma, e até mais,
porquanto as enfermidades lhe são mais comuns, face à falta de resistência
orgânica, a todo tipo de riscos que se colocam e ás imprudências que se arrojam.
A enfermidade não é patrimônio da idade, mas sim do ser humano em geral.
A prática de exercícios de qualquer porte, correspondente à faixa etária,
alimentação bem balanceada, pensamentos edificantes, leituras enobrecedoras,
atividades de conformidade ao padrão orgânico, constituem regras excelentes para
uma boa vivência na terceira idade.
Viver integralmente cada momento existencial, ter atividades renovadoras e
espírito de fraternidade, estar envolvido com alegria e paz em todos os
instantes, não carregar consciência de culpa por eventual ação menos feliz que
podem ser reparadas, nem dar ouvidos a tormentos de pecado, que não existe, a
velhice tornar-se-á em conquista feliz e harmoniosa para a grande viagem que
todos um dia deverão fazer. Saber envelhecer é uma arte que se aprende durante a
caminhada terrestre, para ser desfrutada na caminhada eterna.
Portanto, a velhice deve ser considerada e pensada já a partir da juventude para
se ter uma velhice física sólida em entendimento e crescimento espiritual,
constituindo a verdadeira dádiva da vida. Assim, será o resultado de como cada
qual se comportou na vivência do dia-a-dia e como foram construídos os
pensamentos e as atitudes nesse percurso, os quais serão, sem qualquer dúvida, o
enriquecimento ou a pobreza do Espírito e das recordações que terá nesse
período.
Para aqueles que se tornaram completistas, expressão usada pelo Espírito André
Luiz em uma de suas obras (3), significando todo aquele que desencarna na
velhice, completando seu ciclo por inteiro, conquista o mérito que proporciona
felicidade no despertar no Além como um vitorioso sobre a chamada “morte”.
Pela pena de Divaldo Pereira Franco, Joanna de Angelis(3), chega a até nós
importantes instruções. “Quando jovens, transferem para a velhice o exame da
morte; quando sadios, adiam para o período das enfermidades a mesma reflexão,
acreditando-se invulneráveis ao desgaste e aos fenômenos degenerativos da
matéria. À medida que o tempo transcorre, negam-se a envelhecer, utilizando-se
de expedientes cirúrgicos, ginásticos, alimentares, na vã tentativa de manter a
juventude que os anos arrebatam inexoravelmente. A luta para escamotear a
realidade é tenaz, e, quando essa se apresenta vexatória, derrapam nas crises
neuróticas, nas fugas pelos alcoólicos e outras drogas, tombando no suicídio”.
1-O Grande Enigma. FEB.
1991. RJ.
2-Missionários da Luz. Francisco Cândido Xavier. André Luiz. Editora FEB. RJ.
1996.
3-Plenitude. Divaldo Pereira Franco. Joanna de Ângelis. Livraria Espírita
Alvorada. Editora. Salvador-BA. 1996.
OBS: Matéria do livro do autor: UM TRATADO DA VIDA-A Morte Súbita da Morte-
http://www.feal.com.br/colunistas.php?col_id=9&art_id=31
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