Mensagem do livro "Adolescência e
Vida"
(Divaldo P. Franco, por Joanna de
Ângelis. in: Adolescência e Vida, LEAL)
" (...)
Há uma tendência no jovem para fugir aos programas elaborados, às experiências
vividas por outrem, ao aproveitamento da sabedoria dos mais antigos. Cada ser é
uma realidade especial, que necessita vivenciar suas próprias aspirações, muitas
vezes equivocando-se para melhor compreender o caminho por onde deve seguir. Em
razão disso, experiência é uma conquista pessoal, que cada qual aprende pelo
próprio esforço, não raro, através de erros que são corrigidos e insucessos que
se fazem ultrapassados pelo êxito.
Quando alguém deseja impor seu ponto de vista, transfere realização não lograda, para que o outro a consiga, assim alegrando aquele que se lhe torna mentor.
A educação propõe e o educando
aprende mediante o exercício, a reflexão, o amadurecimento.
Os modelos devem ser silenciosos, falando mais pelos exemplos, pela alegria de
viver, pelos valores comprovados, ao invés das palavras sonoras, mas cujas
práticas demonstram o contrário.
Quando alguém convive com adolescente encontra-se sob a alça de mira da sua
acurada observação. Ele compara as atitudes com as palavras, o comportamento
cotidiano com os conteúdos filosóficos, não acreditando senão naquilo que é
demonstrado, jamais no que é proposto pelo verbo. Em razão disso, surgem os
conflitos domésticos, nos quais os genitores se dizem incompreendidos e não
seguidos, olvidando-se que são os responsáveis, até certo ponto, pelo insucesso
das suas proposições.
A identidade de cada um tem suas características pessoais, e essas não podem, nem devem ser clones, nos quais se perde a individualidade.
A busca da identidade no adolescente é demorada, qual ocorre com o indivíduo em si mesmo, prolongando-se pelo período da razão, amadurecimento e velhice.
Por isso mesmo, nem sempre a avançada idade biológica é sinônimo de sabedoria, de equilíbrio. Jovens há, maduros, enquanto idosos existem que permanecem aprisionados na criança caprichosa e renitente da infância não ultrapassada.
(...)
A adolescência é ainda fase de amoldamento, de adaptação, ao mesmo tempo de
transformações, que merece e exige paciência e habilidade psicológica.
(...)
O idealismo torna-se-lhe um alimento que deve ser ingerido com freqüência, a fim
de que não haja carência emocional e perda de identidade no tumulto das
propostas sociais, econômicas e artísticas...
Invariavelmente, o Espírito reencarna para dar prosseguimento a tarefas que ficaram interrompidas, e ressurgem nos painéis mentais como aspirações e tendências mais acentuadas. Outras vezes, no entanto, deve começar a experimentar atividades novas, mediante as quais progredirá no rumo da vida e de Deus.
Na fase da insegurança pela adolescência, toda a vigilância é necessária, de modo a auxiliar o jovem a encontrar-se e a definir o seu ideal de vida, entregando-se-lhe confiante e rico de perseverança até conseguir a meta ambicionada."
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