Como os impulsos do passado reagem aos estímulos do presente

Que é o que motiva a mudança que se opera no caráter do indivíduo em certa idade,  especialmente ao sair da adolescência? É o Espírito que se modifica?
“É que o Espírito retoma a natureza que lhe é própria e se mostra qual era.”

(O L. E., item 385)

O Espírito reencarnado reage aos estímulos do meio em que se manifesta, de acordo com o degrau da escala evolutiva em que se encontra. Sabe-se que quanto mais evoluído é o Espírito, tanto menos será influenciado pelo ambiente em que foi levado a viver. Tome-se como exemplo certas reações de Paulo – um dos Espíritos mais evolucionados que a Terra conheceu –, que não conseguiu forrar-se de todo às influências do Judaísmo, que funcionaram, desde a infância, como estímulos à tomada de determinadas atitudes que, certamente, se tivesse encarnado em meio cristianizado, não as tomaria. Nesse particular, deve ser ressaltada a independência absoluta de Jesus às influências do meio em que viveu. É o único Espírito, encarnado na Terra, em quem não se detecta qualquer atitude equivocada, que teria sido tomada em função de estímulos gerados no meio social em que se manifestou.

O conhecimento da reencarnação facilita grandemente o trabalho de evangelização por conscientizar o evangelizador de que a criança a quem deve passar os nobres conceitos da Doutrina Espírita é um Espírito imortal, que já escreveu inúmeras páginas no livro da vida, páginas essas que constituem a sua bagagem pessoal. Ao retornar à Terra, um Espírito de mediana evolução experimenta um verdadeiro confronto do seu acervo intelecto-moral com os estímulos, positivos ou negativos, do meio social que o acolhe nessa nova experiência.

Tendo consciência dessa realidade, o evangelizador compreenderá as diferentes reações individuais observadas em crianças de uma mesma faixa etária, de uma mesma família, mesmo no caso de gêmeos. Com essa visão, estará, o evangelizador, preparado a diversificar seu discurso, adequando-o – não quanto ao conteúdo, mas quanto à forma – às reações mais diversas, porque as informações passadas ao evangelizando vão, inexoravelmente, confrontar-se com a bagagem que ele traz, do seu passado próximo ou remoto.

Daí a necessidade de se levar à criança, o mais cedo possível, os esclarecimentos e os estímulos que o Espiritismo propicia, nessa fase em que ela está mais acessível, quando o seu passado ainda está bem adormecido. Nessa oportunidade, é possível levar-lhe ensinamentos novos, que não encontrarão maior resistência para serem gravados de modo indelével na sua consciência. Esses conceitos poderão ser deixados de lado na adolescência ou na juventude, mas um dia, ainda nesta encarnação ou no Mundo Espiritual por certo ressurgirão, oferecendo um direcionamento ao Espírito que se desencaminhou.

O educador verdadeiramente espírita estará sempre preparado para reações variadas, e até adversas, da parte dos evangelizandos – e elas serão cada vez mais evidentes, à medida que aumentem em idade. Muitos Espíritos só deixarão de reagir negativamente mais tarde – em época que varia muito –, quando, mais amadurecidos, talvez até com o concurso da dor, fizerem germinar as sementes recebidas com os risos da infância, não raro, infelizmente, agora umedecidas pelas lágrimas.

José Passini
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